O Manifesto Integralista de 1932

O primeiro manifesto efetivamente nacionalista e patriótico que o Brasil já teve,
é por muitos ignorados. Os preceitos nele inseridos norteiam a sociedade que quer um país mais justo, mais humano e definitivamente, inserido no futuro.

Lançado em 7 de Outubro de 1932 por Plínio Salgado,
você pode conferir o seu texto clicando aqui

Para comemorar o aniversário de 83 anos do manifesto,
nós trazemos aqui um texto magnífico de Plínio Salgado

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A ARTE DE SEMEAR IDÉIAS

A Arte de Semear Idéias é uma arte difícil. Não pelo que exige em qualidades de ação, mas principalmente pelo que reclama em virtudes de resistência.
Não é somente escrevendo e publicando livros, redigindo e estampando artigos nos jornais, subindo à tribuna e proferindo discursos, nem lecionando ou simplesmente conversando, que se consegue semear idéias capazes de germinar.
Tudo isso é preciso, não há dúvida, mas tudo isso nada vale, se o semeador não possui aquela indispensável energia interior com que a si mesmo vence em cada hora de desânimo, diante da incompreensão, ou da indiferença, ou da injustiça.
Essa resistência, em cada minuto de sua vida, é que constitui o húmus alimentador e vivificador das idéias semeadas. Sim; essa resistência é que determina a continuidade, a permanência, a fidelidade que são os fatores operantes nos processos da germinação das idéias.
Porque o grande drama dos portadores de idéias novas consiste justamente no contraste entre estas e a realidade humana, que é o solo onde o semeador deita a sementeira.
Tudo conspira contra aquele que traz algo novo. Entre os adversários que se mobilizam, tem ele de contar com as idéias velhas, que ressuscitam pretendendo ser mais novas, mais oportunas, mais conforme o tempo transcorrente.
Não encontrando no Presente nada capaz de amesquinhar ou destruir o Pensamento que se antecipa aos dias em que surge; os medíocres procuram nas sombras do Passado elementos com que opor-se aos Renovadores, aos propositores de soluções novas. Com tais elementos, proclamam que a idéia nova foi superada.
O verdadeiro Missionário de idéias percebe claramente o truque desses falsificadores e não se perturba na marcha que se propôs de um apostolado irredutível.
Para isso é preciso um grande poder sobre si mesmo, pois todas as aparências trabalham contra ele. Essa força interior provém de íntima certeza, de uma convicção. Mas para haver convicção é mister que o Semeador não seja apenas o portador de idéias, mas seja, principalmente, o portador de uma crença profunda.
Os que não acreditam nas idéias que pregam não resistirão à onda das aparências enganadoras, não se conservarão firmes e inexpugnáveis em face da conjuração e dos expedientes dos medíocres. Deixar-se-ão influenciar por estes, entrando primeiro na dúvida, depois no desânimo, finalmente no ceticismo. E perderão a batalha.
Perderão, porque a batalha já estava perdida antes de ser travada. O pretendido semeador era indeciso, a sua mão tímida e trêmula, a sua palavra insegura e dubitativa.
Quando saiu a campo, não se blindou contra as influências estranhas; de sorte que, à leitura do primeiro livro de grande sucesso lançado pela mediocridade contemporânea, a sua fé em si mesmo abalou-se. Ficou à mercê da imensa fauna dos oradores oportunistas e dos artigos e notícias da imprensa quotidiana. Os falsos êxitos, os retumbantes aplausos, que coroam os vitoriosos do momento em seus efêmeros triunfos, impressionam o homem fraco, o apóstolo sem fibra, o tímido predicador sem confiança naquilo que ele chama inicialmente “a verdade” e que mais tarde chamará “a doutrina superada”.
No entanto, o contraste principal, que cria a tragédia de todos os lutadores apostolizantes, encontra-se exatamente naqueles motivos que atestam a autenticidade do “novo” em face do “velho”.
A idéia nova precisa de homens novos. Para isso, ela necessita, antes de tudo, transformar-se em sentimento. O sentimento produz os atos, ou séries de atos, em que se manifestam e se afirmam as personalidades novas.
Quando a idéia se transforma em sentimento, estabelece-se no que foi inicialmente seu “objeto” e depois se fez “sujeito” operante, a linha nítida da conduta. A manutenção dessa linha depende, entretanto, da própria força do sentimento, na sucessividade das emoções, cujo ritmo se exprime naquele constante fervor da paixão criadora.
A progressão crescente parte do termo “idéia”, ascende ao termo “sentimento”, atinge o termo “paixão”. A semente chega, então, ao ponto de desenvolvimento sem o qual não germina.
E não germina porque só a paixão da idéia, isto é, a continuidade das emoções sentimentais, traz consigo a energia seminal fecundadora. O pregador crê no que prega; a sua palavra transmite o gérmen, a centelha vital.
Quando o pregador tornou-se autêntico semeador, operou em si mesmo a superação de todas as forças negativas e esterilizadoras. Conhece-se quando tal acontece, não já pelas palavras que o semeador profere, mas pelos atos que pratica.
Os atos identificadores da autenticidade do apóstolo revelam, um por um, a persistência. Mas, justamente porque o processo da transformação da idéia em sentimento e do sentimento em paixão apostolar se opera, de pessoa a pessoa, em ritmos variáveis, aquele que se fez propagador, difundidor de idéias novas sofre a grande amargura cotidiana das decepções sem número.
São momentos perigosos na vida do semeador. É o choque entre todas as forças do “velho” contra a audácia do “novo”. O pioneiro do Futuro amarga a imensa dor de verificar que, entre aqueles que marcham com ele, e até mesmo entre aqueles que se dizem vanguardeiros na maravilhosa aventura, manifestam toda a espécie de fraquezas, de incapacidade para enfrentar os momentos difíceis, de impotência no sentido de viver o sonho magnífico posto na linha do horizonte desejado.
A semeadura, pouco a pouco, no transcurso dos acontecimentos, tornou-se marcha. As mãos atiram a semente à terra; as pernas prosseguem, para diante, sempre para diante.
Mas há os que se cansam. Há os que param no meio do campo, a contemplar o terreno percorrido e, além deste, para trás, muito para trás, o terreno percorrido por outros, por outras gerações, segundo outro sentido de vida e de realidades. Nesse horizonte pretérito, erguem-se os vultos dos que apontam para a frente e parecem dizer aos caminhantes que não olhem para eles, pois cada geração tem o seu destino próprio; mas há também os vultos dos que viveram segundo o Presente que lhes pertenceu e não segundo o Porvir, que nos pertence, e estes, em vez de nos mandar marchar para diante, convidam-nos a regressar ou a extasiar-se na contemplação estática do que eles foram, do que eles fizeram.
E há também os que se iludem com as falsas aparências de uma realidade que não é realidade; capitulam em face dos êxitos ocasionais dos medíocres; entregam-se ao domínio dos cartazes e das frases feitas, que constituem, em última análise, as páginas dos doutrinadores de ocasião, dos mágicos de feiras, em torno de cujas palavras se conglomera a clientela bestificada dos “best-sellers” e dos auditórios dos comícios.
E há, ainda, os que pretendem o absurdo que consiste em querer que a idéia nova viva efetivamente uma vida atual, esquecendo-se de que nesse caso ela deixaria de ser nova. Esses revoltam-se, porque o seu generoso pensamento, a sua nobre doutrina, o seu elevado sentimento só encontra possibilidade de vida em poucos, em alguns, e não na maioria dos próprios companheiros de ideal. Tornam-se céticos, mordendo-lhes o coração o íntimo desejo de abandonar a luta. E muitos a abandonam, dizendo: são muito poucos aqueles que realmente me compreendem.
Incorrem dessa forma, no maior dos erros, que é desconsiderar o valor das idéias que outrora foram novas e que, tendo-se transformado em fatos sociais, persistem, pela lei da inércia, e persistirão longo tempo, utilizando-se de todos os expedientes do “falso novo” para a manutenção do velho. Não raciocinam para concluir que justamente por ser nova, a nova idéia terá que colocar o seu objetivo no Futuro. Não percebem que toda idéia nova é uma batalha contra o Presente. Do Pretérito, ou da Atualidade, ela toma unicamente os valores eternos, que pertencem também ao Futuro. Mas os “valores eternos” não são os “valores visíveis”, ou o cortejo das aparências e as estruturas de superfície.
No meio de todas as confusões, de todos os fracos e desorientados, sofrendo a injustiça dos adversários e a injustiça dos seus próprios colaboradores, o Semeador terá de continuar. Impassivelmente. Serenamente. Irredutivelmente.
E deverá ter em vista que o verdadeiro missionário de idéias não é aquele que apenas escreve livros no conforto dos gabinetes, ou redige artigos de imprensa sobre os fatos do dia, ou lavra pareceres, ou compõe ensaios, prefácios ou conferências, mediante temas de ocasião, ou vai discursar na praça pública somente quando chega o tempo das campanhas eleitorais ou das campanhas relacionadas com acontecimentos ou problemas que ocorrem periodicamente. O verdadeiro missionário de idéias não conhece a pausa das férias parlamentares, os intervalos das propagandas à boca das urnas, a intercadência feliz dos repousos reconfortantes. Mas, ao contrário, prega constantemente, em todos os dias da sua vida; anda de cidade em cidade, sem pausa nem descanso; escreve para jornais e escreve livros; procura dar concatenação lógica às idéias, estruturando um corpo de doutrina; e – o que é mais importante – sacrifica-se anos após anos, em continuidade efetiva, resistindo não apenas às injustiças adversárias, que são explicáveis e plenamente justificáveis, por exprimirem a natural reação das idéias velhas. Mas também às injustiças daqueles mesmos que julgam segui-lo, ou que sabem, no íntimo, que não o seguem, fingindo apenas segui-lo.
Essa resistência, essa capacidade para compreender e perdoar, essa energia na manutenção dos propósitos, esta linha imperturbável de marcha, tudo isso consiste a grande arte de semear idéias.
A arte de semear idéias é sem dúvida, uma arte difícil. Mas, por isso mesmo, é bela. Que a juventude da nossa Pátria saiba praticá-la. E poderemos ter confiança no Futuro.
 (Plínio Salgado, “Reconstrução do Homem” – 3ª edição – São Paulo – Voz do Oeste – 1983 – 180 págs; transcrito integralmente da pág. 51 até 56)

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